O SURGIMENTO DA PINTURA MURAL

A pintura mural existe como expressão humana há muitos milênios. Inicialmente rupestre, executada na rocha das cavernas onde se abrigava o homem primitivo, e geralmente com finalidade ritualística ou aritmética (contagem dos rebanhos), sua ocorrência é registrada desde o paleolítico, nas mais diversas civilizações ao redor do globo.

Ao longo do tempo, esta prática tomou conotações estéticas.  As paredes internas de seu abrigo passariam a ser decoradas ao seu gosto. Assim, foi o homem desenvolvendo gramáticas de cores, formas e signos e agregando arte a sua arquitetura. No antigo Egito, por exemplo, argila e limo recolhido nas margens do rio Nilo, quando misturados a fibras vegetais, cal e gesso, forneciam um material interessante, cuja aplicação no revestimento de paredes proporcionava um suporte muito apropriado à decoração pictórica. Era o nascimento da pintura a fresco.


Detalhe de um afresco retratando a caça de aves selvagens. Tumba de Nebaum, Tebas, Egito. 1.400 a. C.

Prontamente, a técnica difundiu-se no revestimento interno de edificações. Templos religiosos, túmulos, grandes palácios e também as pequenas habitações passaram a receber ornamentação. Gregos e romanos também revestiram paredes internas de seus edifícios com grandes de pinturas policromadas em painéis de estuque, retratando cenas temáticas geralmente relacionadas às funções dos ambientes. As cidades de Pompéia e Herculano preservam ainda muitos destes painéis.


Mural na Vila dos Mistérios. Pompéia, Itália. 60 a 70 a. C.

O emprego da pintura mural seguiu durante o chamado período românico, início da Idade Média. Posteriormente, na arquitetura gótica, a técnica perdeu evidência para os vitrais.  Já durante o Renascimento, na Itália, também a pintura mural teve seu aperfeiçoamento. Durante os períodos subsequentes, a pintura mural continuou a ser empregada como arte integrada à arquitetura. No século 19, porém, é que a técnica seria normatizada academicamente, num movimento de sistematização do ensino da arte. Nas últimas décadas do século 19, entretanto, que o Ecletismo se desenvolve, privilegiando a ornamentação externa e internamente às edificações. É neste período que chegaram ao Brasil os imigrantes europeus, especialmente italianos, que seriam os principais difusores da arte da pintura mural no país.

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